Seminário técnico2019-11-05T14:51:36+02:00

O Parque Biológico de Gaia recebeu o primeiro seminário LIFE Stop Cortaderia a 17 e 18 de outubro de 2019, dedicado à problemática da erva-das-Pampas (Cortaderia selloana) no Arco Atlântico. Organizado em parceria pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e o Instituto Politécnico de Coimbra, através da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), no âmbito do projeto LIFE Stop Cortaderia, contou com a presença de vários parceiros espanhóis do projeto.

 

No primeiro dia foram abordadas temáticas importantes por diversos oradores Portugueses e Espanhóis, desde o enquadramento do LIFE Stop Cortaderia no contexto das Espécies Invasoras à importância do envolvimento dos cidadãos e da comunicação social no controlo da erva-das-Pampas, com destaque para a componente da “ciência-cidadã”. A manhã do segundo dia foi dedicada a mesas redondas, onde foram debatidas possíveis estratégias e abordagens para a gestão de Cortaderia selloana em várias regiões do Arco Atlântico, com um grande envolvimento dos cidadãos e diferentes stakeholders.

A abertura do seminário foi realizada pelo Vereador Valentim Miranda da Câmara Municipal de Gaia e pelo Diretor do Parque Biológico de Gaia, Henrique Nepomuceno.

 

À esquerda Valentim Miranda e à direita Henrique Nepomuceno Alves

 

Na sessão da manhã o projeto LIFE Stop Cortaderia foi enquadrado no contexto das Espécies Invasoras no território. Hélia Marchante, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, professora na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra e parceira deste projeto, apresentou as plantas invasoras em Portugal e os principais impactes ecológicos, económicos e para a saúde pública que as mesmas provocam. Paulo Alves, Diretor Científico da Floradata, focou-se na biologia, autoecologia e história da introdução da eva-das-Pampas e o porquê de causar tantos problemas. De seguida, Santiago García de Enterria, técnico da Associação AMICA e Coordenador do Projeto, apresentou o projeto LIFE Stop Cortaderia, o que está planeado fazer até 2022 e o que já tem sido feito na Cantábria, referindo ainda que os próximos seminários estão planeados para 2020 na Galiza, 2021 em França e 2022 na Cantábria. Depois de uma pequena pausa para café, Tomás Diaz, Professor na Universidade de Oviedo, apresentou o plano de ação contra a erva-das-Pampas nas Astúrias. Realçou o facto de que o governo das Astúrias só deu realmente importância ao problema da erva-das-Pampas quando se chegou à conclusão de que esta espécie causa problemas sérios de saúde púbica. Joana Vicente e João Gonçalves, investigadores no CIBIO|InBio da Universidade do Porto, explicaram o que se está a fazer em termos de modelação, mapeamento e deteção de erva-das-Pampas em Portugal, no âmbito do LIFE Stop Cortaderia. A Joana Vicente explicou no que consiste e como se constrói um modelo e o João Gonçalves mostrou como estão a planear mapear e detetar Cortaderia selloana através de técnicas de deteção remota por satélite e veículos aéreos não-tripulados (drones). Seguiu-se Paulo Carmo, Chefe da Divisão de Aplicação de Normativos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, com o enquadramento legal de Cortaderia selloana em Portugal, focando na nova legislação respeitante às espécies invasoras, o Decreto-Lei 92/2019 de 10 de julho. Apresentou também o que está a ser planeado para os planos de controlo, contenção ou erradicação das espécies constantes da Lista Nacional de Espécies Invasoras com ocorrência verificada no território nacional.

 

Palestrantes da sessão da manhã do dia 17, da esquerda para a direita, de cima para baixo: Hélia Marchante, Paulo Alves, Santiago García de Enterria, Tomás Diaz, João Gonçalves, Joana Vicente, Paulo Carmo

 

Após o almoço, a sessão da tarde foi dedicada à importância da divulgação, comunicação de ciência e ciência-cidadã envolvendo os cidadãos no controlo de espécies invasoras, focando na erva-das-Pampas. Conceição Almeida, do Centro Regional de Excelência da Área Metropolitana do Porto, apresentou “FUTURO – o projecto das 100.000 árvores”, onde uma das vertentes do projeto consiste no controlo de espécies invasoras com o contributo dos cidadãos. Por sua vez, Elizabete Marchante, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, mostrou como os cidadãos podem contribuir para a gestão das espécies invasoras através da ciência-cidadã, tendo apresentado diversas iniciativas que ocorrem a nível da Europa e em Portugal, com foco no projeto Invasoras.pt. Seguiu-se Carlos Evaristo, da Associação Mãos à Obra Portugal (AMO Portugal) que mostrou como as ONG’s podem ajudar a controlar espécies invasoras com o contributo dos cidadãos. Após a pausa para café, as intervenções focaram-se no papel da comunicação social e dos professores na divulgação do problema das espécies invasoras. Inês Sequeira, jornalista na WILDER – revista online independente dedicada ao jornalismo de natureza, mostrou o que tem sido publicado em termos de imprensa escrita sobre as espécies invasoras em Portugal, seguindo-se Arminda Deusdado, diretora geral da produtora Farol de Ideias e responsável direta pelo programa “Biosfera”, que apresentou a sua visão sobre o papel do jornalismo na divulgação do problema. Mónica Maia-Mendes, em representação de Paula Castelhano, ambas membros da Ordem dos Biólogos, referiu o papel dos professores na divulgação e controlo de espécies invasoras, focando na aprendizagem baseada em projetos. A professora Odete Melo apresentou o trabalho “Operação Plumas” focado na erva-das-Pampas e realizado pelos alunos do 7ºD da Escola Básica e Secundária de Canelas, vencedores do prémio de divulgação dos Desafios das Invasoras.pt 2017/2018. Para encerrar as palestras do primeiro dia, Mónica Almeida, bolseira de investigação na Escola Superior Agrária de Coimbra, e Henrique Nepomuceno Alves, apresentaram os Desafios CORTAderia e a APP SOS Cortaderia (brevemente disponível) para que os cidadãos possam contribuir no mapeamento da erva-das-Pampas em Portugal.

 

Palestrantes da sessão da tarde do dia 17, da esquerda para a direita, de cima para baixo: Conceição Almeida, Elizabete Marchante, Carlos Evaristo, Inês Sequeira, Arminda Deusdado, Mónica Maia-Mendes, Odete Melo, Mónica Almeida, Henrique Nepomuceno Alves

 

No segundo dia, diferentes stakeholders contribuíram com as suas experiências e testemunhos com vista ao delineamento de uma estratégia transnacional para a gestão de Cortaderia selloana a nível estratégico e no terreno. Os vários intervenientes apresentaram brevemente os seus contributos, seguindo-se um período de discussão e troca de ideias com o público. Felipe González, delegado da Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/BirdLife) iniciou esta sessão apresentando a Estratégia Transnacional de luta contra a erva-das-Pampas no Arco Atlântico do projeto LIFE Stop Cortaderia. Seguiu-se a primeira mesa redonda focada na gestão da Cortaderia a nível estratégico, onde intervieram Jaime Fagúndez, professor na Universidade de Coruña, Paula Graça, arquiteta paisagista da direção de engenharia da Infraestruturas de Portugal, Ana Paula Carvalho, subdiretora-geral da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, Maria Manuel Mesquita, chefe de divisão da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte e Paulo Carmo. Após uma breve pausa para café, e para terminar o seminário, seguiu-se outra mesa-redonda focada na gestão de Cortaderia selloana no terreno, com Blanca Serrano e Antonio Urchaga, ambos técnicos da Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/BirdLife), Henrique Nepomuceno Alves e Rafael Marques, da Câmara Municipal da Lousada.

Mesas Redondas

Stakeholders presentes nas mesas-redondas do dia 18, da esquerda para a direita, de cima para baixo: Felipe González, Jaime Fagúndez, Paula Graça, Ana Paula Carvalho, Maria Manuel Mesquita, Paulo Carmo, Blanca Serrano, Antonio Urchaga, Henrique Nepomuceno Alves, Rafael Marques

 

Durante este dia e meio mais de 80 especialistas e outras partes interessadas discutiram e deram contributos com vista á definição de uma Estratégia Transnacional de erva-das-Pampas. Técnicos da DGAV, ICNF, IP, empresas de gestão de vegetação, associações florestais e de conservação da natureza, ONGA, municípios, investigadores, jornalistas, professores e outros interessados partilharam as suas experiências na gestão desta e outras espécies invasoras.

 

 

 

Todos reconheceram a gravidade da invasão por Cortaderia selloana e a importância de intervir de forma precoce e coordenada, visto tratar-se de uma espécie que causa problemas a nível ambiental, económico e de saúde pública, estando associada a problemas de alergias e mesmo ferimentos devido às folhas cortantes. É crucial agir rapidamente, antes que o problema se agrave mais. No entanto, falta coordenação geográfica e sectorial das entidades a nível ibérico, e particularmente em Portugal, traduzindo-se em desperdício de recursos e pouca eficácia nas intervenções realizadas. Assim, os especialistas sublinham a necessidade de uma melhor coordenação entre entidades e uma maior disponibilidade de recursos para poderem ser mais eficazes na luta contra a erva-das-Pampas, o que se torna essencial para os planos de ação estratégica de gestão desta espécie de origem sul-americana. Os professores e jornalistas presentes mostraram-se bastante motivados a participar de formas mais produtivas, contribuindo assim numa distribuição de informação mais eficaz. Outro módulo especialmente importante e focado na participação dos cidadãos, concluiu-se, é o do voluntariado que pode ter um contributo não só fisicamente no controlo da planta invasora como permite passar em primeira mão informações importantes sobre a compreensão deste problema. O voluntariado aliado ao segmento de ciência-cidadã poderão ser essenciais não só na forma de gerir erva-das-Pampas, mas em particular na contenção desta espécie dentro das áreas onde está já muito dispersa, tentando limitar a sua dispersão em grande escala para novas áreas. Outros pontos debatidos durante o seminário foram as metodologias que se devem aplicar para controlar / remover a erva-das-Pampas, incluindo a época do ano para aplicar as diferentes técnicas, e a origem do financiamento para estas e outras atividades relacionadas com a gestão da espécie.

Agradecemos a presença de todos os que marcaram presença neste seminário, com um especial agradecimento ao Parque Biológico de Gaia pela organização.

 

Parte do grupo participante no primeiro seminário LIFE Stop Cortaderia dedicado à problemátia da erva-das-Pampas no Arco Atlântico

 

Na tarde do segundo dia, houve ainda tempo para que a equipa luso-espanhola do LIFE Stop Cortaderia se reunisse à porta fechada para debater assuntos internos inerentes ao desenrolar do projeto.

 

Equipa luso-espanhola do projeto LIFE Stop Cortaderia, da esquerda para a direita: Mónica Almeida, Hélia Marchante, Blanca Serrano, Henrique Nepomuceno Alves, Santiago García de Enterria, Felipe González, Antonio Urchaga

 

Para quaisquer dúvidas ou informações, podem contatar a equipa portuguesa em lifestopcortaderia@esac.pt.

Abaixo podem descarregar as apresentações dos intervenientes.

Descarrege aqui as apresentações dos intervenientes

1º DIA – 17 de outubro

Sessão 1: Life STOP Cortaderia no contexto das Espécies Invasoras no território






Sessão 2: Divulgação/comunicação de ciência/ciência-cidadã – envolvendo os cidadãos no controlo de espécies invasoras




Divulgação nos media TV – os jornalistas estão alerta para o problema? Qual o seu papel? – Arminda Deusdado, Farol de Ideias| Biosfera



2º DIA – 18 de outubro