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Inquéritos à população – o que se sabe sobre Cortaderia?

  • Mapa Cortaderia

Em 2020 foi desenhado um inquérito e distribuído em formato digital à população Portuguesa, Espanhola e Francesa com o objetivo de tentar perceber o que realmente sabe a população sobre a erva-das-pampas (Cortaderia selloana), nestes três países abrangidos pelo projeto LIFE Stop Cortaderia. O inquérito foi distribuído através das redes sociais, página e email do projeto LIFE Stop Cortaderia e da plataforma INVASORAS.PT, e respetivos colaboradores/as, e esteve disponível na plataforma Google Forms cerca de 2 meses.

Inquérito PT

O inquérito estava dividido em duas secções: a primeira destinada à caracterização dos inqueridos e conhecimento básico sobre a erva-das-pampas; a segunda com perguntas mais complexas sobre a espécie. Ao todo tinha 11 perguntas, algumas com perguntas de acompanhamento.

Para o total dos três países responderam 1345 cidadãos: 486 de Portugal, 839 de Espanha e 20 de França. Devido ao reduzido número de respostas obtidas em França, estes dados não foram considerados na análise. Assim, foram analisados os 1325 inquéritos de Portugal (PT – 37%) e Espanha (ES – 63%).

A maioria dos inqueridos mora no país do inquérito correspondente (95% PT; 98% ES), mas algumas pessoas responderam a partir da Alemanha, Reino Unido, Brasil, Itália, Suíça, etc., demonstrando o alcance deste inquérito online, que não seria possível em formato presencial. A maioria tinha entre 41 e 64 anos, seguidos por inqueridos com 26 a 40 anos; a classe etária menos representada foi a dos jovens (<18 anos) e acima dos 65 anos. Em Portugal responderam mais mulheres, enquanto que em Espanha não houve grande diferença entre homens e mulheres. Cerca de 80% do total dos inqueridos têm ensino superior e cerca de metade trabalha no sector dos serviços (ex.: advogados, administradores, assistentes, banqueiros, enfermeiros, psicólogos, economistas, veterinários, músicos), sendo que os profissionais do ambiente (ex.: biólogos, engenheiros ambientais, técnicos florestais) também estavam bem representados (20%). As profissões relacionadas com a natureza (ex.: agricultores, agrónomos, arquitetos paisagistas) estavam pouco representadas (4%).

Inquérito PT

Do total das respostas recebidas, 118 cidadãos (9%) não reconheceram a erva-das-pampas e não passaram à fase seguinte do questionário. A maioria dos inqueridos, em ambos os países, reconhece Cortaderia selloana (90% PT; 92% ES) e conseguiu dar-lhe o nome correto, científico ou comum (79%PT; 89% ES). Quase todos disseram não a ter no seu terreno (99% PT; 98% ES).

Quando foram apresentadas  algumas frases descritivas sobre a espécie, para identificarem as corretas e as erradas, 2/3 dos inqueridos selecionaram apenas declarações corretas (72% PT; 67% ES), enquanto que uma pequena percentagem escolheu apenas declarações erradas (7%PT; 28% ES).

Inquérito PT

A maioria dos inqueridos reconheceu a erva-das-pampas como sendo uma espécie invasora (90% PT; 93% ES), mas no geral não conhece a legislação que limita o seu uso; os poucos que conhecem a legislação, também souberam mencionar o seu nome, na maioria.

Inquérito PT

Quando confrontados com três fotos de Cortaderia selloana, muitos dos inqueridos não souberam responder ao que correspondiam (PT 33%, ES 56%) e dos poucos que responderam, em ambos os países, deram respostas corretas e incorretas em semelhante proporção (PT: 37% e 30%; ES: 21% e 23%; respetivamente corretas e incorretas).

Inquérito PT

Mais de metade dos inqueridos Portugueses disse ter aprendido sobre o facto da erva-das-pampas ser invasora em atividades académicas e científicas (53%), enquanto que os inqueridos Espanhóis mencionaram a observação da realidade e através de família e amigos (36%). Considerando apenas as atividades académicas e científicas, a formação académica traduz-se como a maior fonte de conhecimento em ambos os países (50% PT; 31% ES). Em Portugal, a plataforma INVASORAS.PT (página web, redes sociais e atividades presenciais) também tem um grande peso sobre este conhecimento (49%), enquanto em que Espanha são outras  páginas nas redes sociais que mais contribuem (27%).

Por fim, quando perguntámos sobre alternativas de espécies para usar em jardins no lugar da erva-das-pampas, a maioria dos inqueridos de ambos os países sugeriu alternativas «seguras», isto é, plantas nativas ou exóticas não invasoras (63% PT; 57% ES). Uma minoria sugeriu alternativas «não seguras», isto é, espécies invasoras ou exóticas com potencial invasor em determinadas condições (ex: Acacia dealbataArundo donaxCarpobrotus edulis) (5% PT; 2% ES).

Este estudo sugere um conhecimento e perceção relativamente elevados dos cidadãos Portugueses e Espanhóis, com algum nível de consciência ambiental relativamente à invasora Cortaderia selloana. A maioria dos inqueridos reconhece a espécie e o seu potencial invasor, mas têm menor conhecimento relativamente à legislação que a proíbe. Foram feitas análises estatísticas adicionais a estes dados, que serão apresentados numa futura publicação científica, mas, no geral, verificou-se que a ocupação dos inqueridos Portugueses tem uma maior associação com o seu conhecimento e perceção da espécie, enquanto que em Espanha, são a idade e a educação que mais influenciam. Em termos gerais, cidadãos com ocupação ligada ao sector dos serviços, ambiente e natureza, e aqueles com educação superior, demonstraram maior conhecimento relativamente à espécie. Ainda que os resultados não possam ser extrapolados para toda a população (devido a um possível bias das respostas por cidadãos já sensibilizados para a causa – com acesso à internet, e com pouca representação de jovens e seniores), demonstram a importância de investir na sensibilização e educação do público, a fim de mudar a perceção dos cidadãos sobre uma espécie ornamental atraente e bela, mas com graves consequências para o ambiente, a saúde pública e a economia.

By |2022-03-28T07:34:58+02:00marzo 20th, 2022|Noticias_pt|0 Comments